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China e Filipinas acordam gerir divergências e estabilizar relações bilaterais

China e Filipinas acordam gerir divergências e estabilizar relações bilaterais

A China e as Filipinas acordaram gerir "de forma responsável" as divergências e estabilizar as relações bilaterais, anunciou o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, após uma conversa telefónica entre os chefes da diplomacia dos dois países.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Ministra dos Negócios Estrangeiros das Filipinas, Theresa Lazaro, e Ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi | Foto: Ted Aljibe - Pool via REUTERS

Num comunicado divulgado na terça-feira à noite, o ministério indicou que o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, e a homóloga filipina, Theresa Lazaro, alcançaram um "consenso básico" sobre a necessidade de manter o diálogo diplomático, afastar interferências internas e externas que possam prejudicar esses esforços e alargar os interesses comuns.

Wang acusou "alguns políticos filipinos" de atacarem repetidamente a China por "preconceitos políticos" e "interesses particulares", de ultrapassarem as "linhas vermelhas" de Pequim e de politizarem os intercâmbios económicos, comerciais e culturais entre os dois países.

O ministro chinês classificou estas atitudes como "intoleráveis" e pediu a Manila que controle os responsáveis e adote uma posição "racional e unificada" em relação a Pequim.

Wang instou ainda as Filipinas a agirem com "prudência" nas disputas marítimas.

Lazaro manifestou, segundo a versão chinesa, o interesse de Manila em manter relações "estáveis e previsíveis" e resolver as divergências marítimas através do diálogo e de consultas.

A chefe da diplomacia filipina destacou o papel de Pequim nas relações com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), cuja presidência rotativa é exercida este ano pelas Filipinas.

"A comunicação entre as Filipinas e a China contribui para gerir as divergências, melhorar as relações bilaterais e promover a paz e a estabilidade regionais", afirmou Lazaro.

A conversa telefónica ocorreu após uma recente crise diplomática desencadeada por declarações do embaixador chinês em Manila, Jing Quan, que afirmou, em outubro, que a China poderia facilmente impor-se militarmente às Filipinas, embora tenha afastado a possibilidade de recorrer à força.

O Governo filipino convocou o diplomata e classificou as declarações como "provocatórias e inaceitáveis", enquanto vários deputados exigiram a sua expulsão.

As tensões persistem também no mar do Sul da China, onde Pequim reforçou recentemente as patrulhas militares e policiais nas proximidades do baixio de Scarborough e de outros recifes disputados.

A China reivindica quase a totalidade daquele mar, uma importante rota comercial internacional, apesar das reivindicações sobrepostas das Filipinas, do Vietname, da Malásia, do Brunei e de Taiwan.

Em 2016, um tribunal arbitral internacional, constituído ao abrigo da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, rejeitou a base jurídica das reivindicações históricas de Pequim sobre grande parte daquelas águas, numa decisão que a China não reconhece.

Os dois ministros trocaram ainda opiniões sobre as próximas reuniões de líderes da Ásia Oriental, nas Filipinas, e da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), na cidade chinesa de Shenzhen.

 

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